Baías e Baronis – Manchester City 4 vs 0 FC Porto

 

foto retirada de maisfutebol.pt

Foi uma espécie de jogo de gato e rato. Adaptando a metáfora, convém dizer que o gato era um tigre daqueles grandalhões, cheios de força e pujança física mesmo depois de acabarem um saboroso repasto, que mantiveram um tipo de rato esfomeado que usava as pequenas unhas para tentar arranhar o potente felino, ficando quase sempre longe de fazer um mínimo arranhão na pele do adversário. O gato…tigre, perdão, deixou o rato lutar, cansar-se, trabalhar como uma lenta cigarra desde o início e enfiou-lhe uma manápula no lombo logo no arranque da brincadeira. Mas o ratito, com mais força que todos os outros ratos com quem habitualmente passa os tempos, olhava de baixo para o tigre e espreitava o melhor sítio para lhe procurar as falhas. Não havia. O tigre deixou-se estar dentro da jaula com a chave na porta, até que se fartou e investiu. Duas. Três. Quatro vezes. E o rato recuou, exausto. Tinha feito o que podia. Não chegou, nunca chegaria. Vamos às notas:

 

(+) Vontade apesar da incapacidade Um golo aos vinte segundos é uma traulitada nas têmporas que ninguém merece. Talvez Otamendi, pela estupidez (já bastante repetida, infelizmente) do passe de ruptura quando os colegas da defesa estão mal colocados, mas o argentino levou o pagamento pela parvoíce na forma de uma patada de um colega. Teve azar, nas duas situações. Mas ninguém notou que tínhamos sofrido o golo e mesmo com a permissividade do City ao deixar-nos organizar o jogo como queríamos e apesar das situações de golo terem sido poucas e sem grande perigo, a verdade é que pegamos no jogo. Aos trambolhões, com a lentidão que as equipas portuguesas insistem em não querer mudar especialmente quando lutam contra britânicos, mas a bola estava nos nossos pés. E tivéssemos tido alguma sorte no jogo e uma bolinha lá tivesse entrado na baliza do albino titular da Inglaterra e a história podia ter sido diferente. Gostei de James, a recuar para vir buscar a bola. Gostei de Alex Sandro e Varela, a usarem bem o overlap pelo flanco esquerdo. Gostei de Moutinho e Lucho, que rodavam a bola de um lado para o outro à procura de espaços para furar. Gostei de Fernando, a tapar. Gostei de Maicon a aliviar. Gostei, pronto. Deram-me esperança, ténue, mas umas raspas de fé que era tão curta e tão necessária. Não foi esplêndido, não foi brilhante. Mas foi esforçado.

(+) Hulk É muito fácil, cada vez mais fácil culpar Hulk pelos maus resultados. E já houve jogos em que a insistência do brasileiro nos tramou as chances de podermos conseguir golos ou melhores exibições. Mas é penoso ver o rapaz a receber a bola com quarenta oponentes pela frente sem ter nenhum colega para o apoio rápido, nem que seja para lhe retornar a bola quando estiver numa situação impossível de transpôr. Maicon ou qualquer um dos laterais direitos TÊM de aparecer perto dele para que possam receber o esférico quando o rapaz não consegue furar pelas barreiras do adversário e como raramente acontece lá vai o moço como um tolinho a tentar desfazer os defesas. Ora quando os defesas são bons ou têm bom apoio…nada a fazer. Hoje lutou, tentou, rematou…mas não conseguiu melhor. Inúteis também os cruzamentos quase rasteiros para a pequena área quando não havia ninguém para empurrar para a baliza. Pois. Mas a culpa não é dele.

(+) Fernando Pouco mais há a dizer sobre uma nova excelente exibição de Fernando. Acho que posso afirmar com alguma certeza que é a última temporada do rapaz no FC Porto, porque é muito complicado manter no nosso campeonato um dos melhores jogadores do mundo naquela posição. Muito bem.

 

(-) Lentidão e falta de poder de choque Compreendo que Touré, Richards, Kompany e Lescott sejam grandes. Feios. Brutos. Rijos. Altos. Homens, pronto. Não me custa compreender como é que grande parte dos duelos que se travam entre os nossos jogadores e estas montanhas de granito tendam a ser vencidos pelos canastrões. Mas o que me desafia os poucos neurónios é que o mesmo acontece quando está Nasri, Silva, Aguero ou Clichy em vez de qualquer um daqueles nomes de cima. A velocidade de execução é baixa, sabemos disso e até podemos tirar partido disso, transmitindo uma espécie de falsa calma que se pode alternar com bons passes a desmarcar os jogadores mais rápidos do ataque (Hulk, portanto), mas a incapacidade de lutar no um-contra-um é assustadora. Veja-se o exemplo do Braga, com jogadores que têm capacidades físicas sensivelmente iguais às nossas…mas que diabo, os rapazes parecem ser mais lutadores. Conformismo ou fraqueza mental? Deixo-vos decidir.

(-) Ingenuidades Um dos mais invulgares e inesperados happenings é a ingenuidade de alguns jogadores do FC Porto em 2011/2012. Hulk cai demais, Otamendi falha passes parvos, Rolando reclama demais, Varela parece tratar a bola como um paralelo de calçada aos saltos. E o miúdo Alex Sandro, apesar do bom jogo, voltou a exibir algumas inconsistências mentais que não podem acontecer a este nível. Perdemos, é verdade, mas a quantidade de bolas que desperdiçamos com passes inconsequentes, maus domínios de bola e desorganização estrutural é abismal e não se entende.

 

Foi-se. Defender o troféu acabou por ser um gigantesco sonho que foi arrasado por uma excelente equipa inglesa de nome e universal em talento. Não tendo caído de pé mas a cambalear, a chamada à razão de todos os que não acreditavam que seria possível ir a Manchester vencer o jogo acaba por ser a pedra mais pesada do cinismo da realidade que é habitualmente contrariada pelos sonhadores como eu, que se dignam a ver os jogos do FC Porto até ao fim. Mesmo com quatro na pá. É isto, meus amigos, é aguentar os gozos dos moços que apoiam os outros clubes, sorrir e voltar ao combate. E reafirmo o que disse ontem: não me custa perder por quatro. Fiquei com a noção evidente que os rapazes tentaram. Só que não conseguiram o objectivo com um misto de mérito adversário e demérito próprio. Fizeram por isso. Palmas.

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Ouve lá ó Mister – Manchester City


Amigo Vítor,

Não me importo que vás a Manchester contestado, insultado, apedrejado, criticado e molestado. Não me custa nada que entres em campo com onze jogadores prontos para se desfazerem de minuências cerebrais e fardos mentais de pouca confiança. Não me assola a possibilidade de levar no focinho dos locais ao ponto de ficarmos a sangrar e a chorar em campo. Não me preocupa saber que do outro lado está uma das melhores equipas da Europa.

O que me pode pôr chateado é ver o FC Porto a entrar em campo sem ter um fogo nas vistinhas que lhes alimente a esperança, minuto após minuto, de passar a eliminatória. Juro-te, Vitor, pelo que há de mais sagrado na minha vida, que nada do que disse acima me apoquenta se hoje à tarde vir os nossos moços a jogar para ganhar.

Lembra-te do que fizemos nessa mesma cidade aqui há oito anos. É certo que o resultado que levamos do Dragão era substancialmente mais positivo que o que hoje vai aparecer no “aggregate score” esparramado no placard electrónico aos zero minutos de jogo. Mas quero ver aqueles meninos, alguns dos quais aplaudi de pé em Dublin em Maio do ano passado, quero vê-los a jogar para ganhar, mesmo que no fim acabem por perder. Quero-os a desbravar relva, a passar com gosto, a chutar com força e a marcar como homens. Não quero voltar a ver aquela exibição da segunda parte na passada quinta-feira, que foi mais maricas que o Castelo Branco a beber batida de côco de um copo alto por uma palhinha torcida. Quero ver alma, força, bravura, coragem. Quero que ganhes ou percas a puta da paciência se não conseguires.

Este é daqueles jogos que não ficarei triste se sair de lá com 3 ou 4 golos no saco. Desde que joguem para ganhar. Não te exijo mais nada.

Sou quem sabes,
Jorge

 

APOSTAS PARA HOJE NA DHOZE:

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Para perceber porque é que os bons jogadores brasileiros são cada vez mais caros

retirado de FutebolFinance.com

Com o crescimento do mercado brasileiro explicado neste artigo do FutebolFinance.com podemos ter uma noção mais correcta do porquê de não conseguirmos comprar jogadores com algum nível de estabelecimento no futebol doméstico dos nossos putativos irmãos. Parece-me óbvio, através da simples análise dos valores de entrada de capital para os clubes brasileiros, constatar que um jogador que atinge algum nível de notoriedade no próprio campeonato, somando-se uma eventual chamada à Selecção nas camadas jovens ou mesmo na principal, dificilmente quererá dar o salto quando o estatuto que adquiriu já lhe permite ter uma vida diferente daquela que conseguia aqui há uns anos.

E em relação aos clubes ainda é pior, porque se até bem pouco tempo atrás se conseguiam trazer dois ou três contentores de jogadores razoáveis onde se podia encontrar uma pérola de vez em quando (como os franceses fizeram e continuam a fazer das ex-colónias em África), hoje em dia a realidade é mais complicada. Convencer um clube de topo a ceder um dos seus principais jogadores exige capacidade negocial, conversas absurdamente extensas com agentes e fundos de investimento e acima de tudo dinheiro vivo em cima da mesa.

A solução? Trazê-los jovens. Procurar cada vez mais cedo encontrar uma futura mais-valia (como Kelvin se espera que seja) e apostar na qualidade para evitar gastar uma Torre dos Clérigos de moedas de cada vez que um jogador dá nas vistas. Danilo e Alex Sandro podem ter mostrado que o investimento é seguro mas o retorno pode não ser imediato apesar das suas qualidades terem sido enaltecidas por trinta e quatro mil jornalistas. E quando há uma lesão grave…chora-se o dinheiro que se gastou e espera-se por melhores momentos.

É muito difícil gerir um clube com o grau de exigência do nosso num mercado em constante mutação, não tenho a mais pequena dúvida.

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Baías e Baronis – Vitória Setúbal 1 vs 3 FC Porto

 

foto retirada de desporto.sapo.pt

Tenho uma passadeira em casa. Daquelas que as pessoas põem na cozinha para não escorregarem com salpicos de óleo ou vinho foleiro e que tem sempre um ar de terem sido feitas de desperdícios encontradas no chão de uma oficina de mecânicos. E a passadeira é prática, razoavelmente limpa e simples. Não emana charme, não dá bom aspecto à sala e parece ainda mais foleira quando vista à luz do luar que entra pela janela da lavandaria. Não gosto da passadeira. É uma merda aquela passadeira. Apetece-me mudar a passadeira. A passadeira, no fundo, faz o trabalho para que está desenhada. Mas não mais que isso. Não me entusiasma, não me faz querer entrar na divisão onde permanece e ficar a olhar para ela durante noventa minutos e só me apetece pegar na passadeira e mudar de passadeira. Acima de tudo, apetece-me deixar de dizer “passadeira”. Enfim. Vamos a notas:

 

(+) O regresso de Sapunaru Absolut Sapunaru is back, y’all! Admito que me dá uma certa nostalgia ver o romeno no lado direito da nossa defesa, com memórias de Dublin a virem rapidamente ao de cima. Não é um génio táctico e acaba por falhar várias aproximações técnicas ao adversário que lhe aparece pela frente mas normalmente acaba por compensar a falha com inteligência. Mas as subidas no terreno parecem mais fáceis, as incursões pela lateral são mais intuitivas que com Maicon que é esforçado mas falta-lhe a notória impulsividade que um lateral tem e um central acaba sempre por ter em falta. Acima de tudo é uma boa notícia perceber que está de volta e mesmo a tempo de substituir Danilo para o jogo contra o Benfica. Em alternativa pode ser que rebente os joelhos ao Nasri na quarta-feira, só para mostrar quem é que manda. É menino para isso.

(+) João Moutinho Esteve bem hoje, mesmo jogando ao lado de Fernando. Os passes saíam quase sempre simples e práticos muito embora os colegas conseguissem estragar quase sempre a jogada que o João começava com inteligência e tranquilidade. É diferente vê-lo a começar a construção ofensiva tão recuado no terreno e a ter de percorrer tanta relva para chegar a uma posição em que possa ajudar na finalização, mas a verdade é que consegue e serve como apoio defensivo quando a equipa está tradicionalmente com 3 jogadores atrás da linha da bola. Gostei de o ver e saiu na altura certa para descansar.

(+) O primeiro golo Simples. Simples. Simples. Custa muito?

(+) O golo de Fernando Já merecia um golinho o nosso Nandinho. E o golo foi mostra de excelente entendimento e da maneira como Fernando também sabe subir no terreno depois de recuperar uma bola a meio-campo. Se fizesse este tipo de rupturas mais algumas vezes e marcasse mais golos…provavelmente não tinha estado hoje no Bonfim a jogar pelo FC Porto.

 

(-) Passividade Otamendi tenta fintar três adversários à saída da própria grande-área, perde a bola e faz falta que dá um livre potencialmente perigoso; Alex Sandro protege a bola com a força de um kiwi maduro e a bola é-lhe tirada várias vezes por Targino ou qualquer um dos outros jogadores execráveis do Setúbal (é curioso que de quatro defesas consigo detestar três: Miguelito, Ney e Ricardo Silva); Lucho tropeça no meio-campo em trocas de bola num espaço de quatro metros quadrados; Rolando pontapeia bolas para o ar como se estivesse na Praça da República e tivesse uma aversão a pombos; Varela controla a bola com todas as partes do corpo menos os pés e perde-a na jogada seguinte para duas marmotas e um setubalense; Hulk…finta e perde, finta e perde, finta, cai e perde. A passividade que vi hoje no FC Porto tem dois motivos óbvios: o jogo na quarta-feira contra o Manchester e o cansaço do jogo da passada quinta-feira. Mas o motivo principal não é esse. É o alheamento do jogo, o desinteresse da competição, a falta de vontade de jogar. “Going through the motions”, como dizem os angleses. E é estupidamente frustrante.

(-) Arbitragem Um escroto, este Paulo Baptista. Se conseguíssemos juntar num árbitro tudo que há de mau de todos os árbitros portugueses, teria a arrogância de Proença, a falta de visão de Lucílio, a cara de parvo do Bruno Paixão e a capacidade de apitar a todos os lances onde há um mínimo de contacto entre os jogadores. É evidente que os rapazes que estão na relva não se mostram preocupados quando se sentem pressionados porque sabem que se gritarem bem alto e caírem para o chão, nem precisam de simular que foram agredidos por um disco de ferro no funny-bone para que a bestinha marque falta. E hoje foi mais um desses anormais que apareceu em Setúbal com licença para apitar. Esqueçam os foras-de-jogo mal marcados e as tecnologias para ver se a bola entrou na baliza ou não. Estas arbitragens é que estão a matar o jogo em Portugal.

 

Das poucas vantagens que tirei do jogo foi o facto de não ter ouvido os comentários na segunda parte do jogo. Passei o tempo a correr na passadeira lá de casa (uma passadeira diferente da de cima) e o constante zusssh causado pelos tradicionais 12 km/h a que zarpava pelo tapete…talvez fossem 10…ou 8…e aproveitei para multi-tascar durante quarenta e cinco dos noventa minutos de gigantesco bocejo no Bonfim. Já sei que estes jogos entre competições europeias não podem ser vistos à mesma luz que a maior parte dos outros, mas depois de uma noite como a da passada quinta-feira estava a precisar de uma injecção de alegria futebolística pelos moçoilos que defendem as cores da minha equipa. Não a tive. E temo que na próxima quarta, em Manchester, também não a vá receber.

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Ouve lá ó Mister – Vitória Setúbal


Amigo Vítor,

Ahhhh…estou cansado. Aquele jogo de quinta-feira deixou-me cansado, Vitor, por isso nem imagino como hás-de estar tu depois daqueles 45 minutos de bom futebol e do resto do tempo que foi qualquer coisa perto de futebol mas não muito. Assim como um bife de soja. É, mas não é. E na quinta, assim foi. Não quero ver mais daquilo, Vitor, o meu pobre coração não aguenta, pá. Fico triste, melancólico, começo a responder mal às pessoas, durmo torto, acordo com uma disposição de arrancar cabelos à machadada e detesto isso. E hoje podes fazer com que a minha moral suba um bocadinho.

Ainda há umas semanas fui ao Dragão ver o Setúbal para a Taça da Jola. Sim, aquela parvoíce de jogo em que fecharam as bancadas de cima e me obrigaram a ir para perto do túnel de acesso e mesmo em cima do relvado, mas fui na mesma. E vi o FC Porto a fazer um jogo de treino e bati muitas palmas ao Lucho e ao Janko e foi uma alegria. Mas este é a sério, já conta para coisas importantes e temos de o ganhar. Não há desculpas, não quero saber o que vais fazer com os jogadores na palestra ou ao intervalo ou lá quando é que lhes dizes as coisas que dizes, mas a probabilidade de sairmos do Bonfim sem pontos tem de ser a mesma do Berlusconi dizer a uma gaja boa de 17 anos que não a quer papar: zero.

Não há Álvaro? Há Alex Sandro. Não há Danilo? Tens o Sapu ou o Maicon. Não tens o Hulk em forma? Põe-no ao banco. Não há equipamentos lavados? Usa os de semana passada. A bola está furada? Manda vir outra. Não há desculpas. Não pode haver.

Sou quem sabes,
Jorge

 

APOSTAS PARA HOJE NA DHOZE:

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