Ouve lá ó Mister – Benfica

André, farol da nossa esperança!

Big wheel keeps on turning! O Helton lá se estourou do joelho ou das costas ou lá do que raio o homem se queixava, não foi? Ficamos todos à rasca quando o gajo se estatelou na relva e torcemos todos para que ele volte rapidamente. Não é que não tenhamos confiança no Beto ou até no Pábél, mas não estou a ser um otário quando digo que o Helton é o principal guarda-redes por mérito próprio. Vai ser porreiro quando estiver em condições para escolher o lado certo da moeda que vai ao ar.

Mas divago do verdadeiro objectivo desta missiva: a visita à Luz.

Vamos com um belo lanço. É verdade que tem havido erros defensivos, que tão empolados têm sido pelos arautos da desgraça, tão voluntariosos a encontrar qualquer brecha na armadura que tens colocado em campo. Mas esses erros, por muito que tenham causado alguma mossa nos números surgiram toda a gente sabe, por muito que prefiram não admitir, surgiram em alturas de relax em jogos que estavam já controlados ou prestes a ficarem como tal. E não há Delgados nem Manhas suficientes no mundo que me convençam do contrário, sabes porquê? Porque eu vi esses jogos, porque eu assisti ao fluxo do jogo e vi a maneira como aconteceram. Não me preocupam. E além do mais, esses golos sofridos foram compensados pelo excelente número de 18 golos nos últimos 5 jogos. É isso, é uma média acima de 3 golos por jogo. Simpático, não é?

E são esses três golos que precisamos hoje. São só três golinhos, André, nada de mais. É, como me disse uma brilhante comentadora aqui no burgo, nada mais que se o anormal falhanço do Falcao na última vez que pusemos os pés neste relvado tivesse sido menos falhanço e mais acertanço. É só mais um pózinho do que fizemos aqui há 2 semanas e meia. Mesmo sem os balázios do Guarín.

Ninguém te pede que venças. Só que tentes. Não é fácil mas não é impossível. Tenta. É só o que peço.

Sou quem sabes,
Jorge

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Littlewood's law

A Lei de Littlewood afirma que um indivíduo tem boas hipóteses que lhe aconteça um milagre por mês.

Vencer na Luz por mais de dois golos, para a grande maioria dos Portistas conscientes da dificuldade da tarefa, será pouco menos que isso.

Mas não será um milagre. Muito menos um evento cósmico.

Vai ser difícil. Vai ser muito difícil. Vai ser um confronto de vontades, de garra e de fibra.

Não temos nada a perder. Eles têm vantagem, e das boas, e nós temos de lutar para sairmos de lá com o bilhete para o Jamor.

Rapazes…estou convosco. Estamos todos convosco. Se vencerem, estamos convosco. Se não conseguirem, estamos convosco na mesma.

Força.

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Dia 20. 20h30. Estádio da Luz.

You say the hill’s too steep to climb
Just climb it
You say you’d like to see me try
Climbing
You pick the place and I’ll choose the time
And I’ll climb
The hill in my own way
Just wait a while for the right day
And as I rise above the tree lines and the clouds
I look down
Hear the sound of the things you said today

Fearlessly, the idiot faced the crowd
Smiling
Merciless, the magistrate turns ’round
Frowning
And who’s the fool who wears the crown?
And go down in your own way
And every day is the right day
And as you rise above the fear-lines in his brow
You look down
Hear the sound of the faces in the crowd

 

Fearless
Meddle
Pink Floyd

 

Se não conhecerem a música, procurem-na. É a banda sonora ideal para este jogo.

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Baías e Baronis – FC Porto vs Sporting

 

foto retirada de MaisFutebol

Vi um bom jogo hoje no Dragão. Estiveram em campo duas equipas que estão em pontos antagónicos de forma e moral mas que tentaram vencer durante todo o jogo. No entanto, apesar de não se poder dizer que passamos o jogo a brincar, a verdade é que os golos do Sporting surgiram a partir de duas parvoíces do FC Porto, com o primeiro a aparecer depois de estarem a brincar na área e o segundo…nem vale a pena falar porque parecia que estavam a juntar-se ao estádio a cantar “Campeões, campeões”, tão baixo era o nível de concentração na área. Enfim, um resultado que peca por escasso porque Rui Patrício e o poste salvaram o Sporting de (mais) uma goleada. Trinta e cinco pontos atrás. Porra. Onwards and upwards to the notes:

 

(+) Falcao Não há muito mais que se possa dizer sobre este rapaz que não tenha já sido dito. Se houve olheiros no Dragão hoje à noite, tiveram o prazer de assistir a mais uma exibição de qualidade insuspeita protagonizada por um dos melhores avançados do Mundo. Sim, já o disse, e então? A simplicidade com que desfaz o marcador directo duas vezes na primeira parte, com uma cabeçada ao poste e um golo, poderiam bastar. Mas Radamel não se contenta só com um golinho, e mais uma vez desmarcou-se com uma facilidade incrível e enfiou mais uma lança no lombo do leão. Perfeito.

(+) Ruben Micael O Ruben que vi hoje é o Ruben que queria ter visto no resto da época. A jogar simples, de cabeça levantada, a tocar e trocar a bola entre o resto dos jogadores da equipa, a rodar para o sítio certo e com a certeza de uma confiança que não via há muito tempo. Foi o jogador perfeito para fazer a ligação entre o meio-campo de contenção e as alas, especialmente do lado esquerdo onde teve em Álvaro o apoio sempre presente e que lhe permitiu uma linha permanente de passe para construir jogo. Ruben esteve muito bem e parece estar a subir de produção. Deus me ouça.

(+) Álvaro Pereira O homem não se cansa? Foram 98 minutos a sprintar pelo flanco esquerdo, com bons cruzamentos e um sentido de apoio na zona central ao pobre do Maicon. Foi rijo, duro, agressivo e se não fosse o cabelo ridículo diria que era um jogador completo. Assim, vai ficar pelo “Parabéns, Palito!”.

(+) O momento de glória de Sereno Guarín recebe a bola de um canto marcado por Hulk, prepara o remate a 40 metros da baliza e a bola ressalta num qualquer rapaz de verde-e-branco que não me lembro quem foi. Valdés leva a bola controlada e arranca completamente sozinho para a baliza. E, vindo do nada, um alentejano anti-natura e anti-piada começa uma cavalgada qual Bugatti Veyron, quase voa ao nível da relva e ganhando 5 metros por cada 10 ao chileno, consegue chegar perto dele e interrompe uma jogada de golo quase certo. Saltei da cadeira como se tivesse uma mola agarrada aos glúteos. Aplaudi Sereno de pé, aos berros, gritando, apoiando, vibrando com o esforço de um jogador que compensa o talento com a capacidade de luta. E hoje, naquele lance, fez o que poucos conseguiriam fazer. A minha renovada salva de palmas: clap! clap! clap!

 

(-) Maicon Assim não dá, rapaz. Não sei se tens qualquer problema a jogar contra o Sporting, mas é o segundo jogo que fazes contra eles este ano e é a segunda exibição que merecia não só um Baroni como talvez um Quintana ou até um belo dum Cajú. Só foi coerente na tremideira que mostrou em todo o jogo, que se reflectiu na forma como cortou as bolas hoje: ou para a bancada quando havia pouca pressão e podia calmamente travar, dominar a bola e rodar para o guarda-redes; ou então para a entrada da área com o pé ou com a cabeça, habitualmente para a pata de qualquer leão que podia perfeitamente ter rematado com perigo à baliza. Maicon tem de melhorar muito para poder deixar de ser um permanente susto para os adeptos, porque neste momento é isso que ele representa.

(-) Lesão de Helton Toda a malta azul-e-branca que estava no Dragão susteu a respiração quando o nosso capitão e guarda-redes caiu estatelado no relvado depois de saltar por cima de Guarín. Os colegas chamaram logo os médicos mas como a maca não entrou em campo, fiquei menos preocupado. mas rapidamente se notou que o rapaz não estava em condições para continuar e a saída era inevitável. Com Fucile e Emídio Rafael no estaleiro até ao fim da época e Belluschi também inapto para algum tempo, não vinha nada a calhar mais um jogador de fora, ainda por cima aquele que é um dos mais importantes do plantel e da equipa que entra normalmente em campo. As melhoras rápidas, capitão!

 

 

Quem não tiver visto o jogo até pode achar que foi equilibrado e que o FC Porto ganhou à rasca. Não é totalmente verdade. O Sporting não mostrou capacidade suficiente para vencer uma equipa que é melhor em todos os sectores. Foi destemido, teve vontade de marcar e ganhar…e até conseguiu a primeira mas a segunda durou alguns minutos. Continuo a afirmar que o FC Porto 2010/2011 tem a capacidade de subir a produção quando se sente pressionado e hoje foi mais um exemplo disso, especialmente no final da primeira e no arranque da segunda parte, onde mostrámos a todos que estamos cansados mas combativos, fatigados mas lutadores, e que acima de tudo continuamos na procura de conquistar todos os objectivos que faltam. Campeões, todos à Luz!!!

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Ouve lá ó Mister – Sporting

André, invicto!

Está a ser uma semana porreira. É estranho ver resultados em que a equipa do outro lado da nossa tem tantos golos marcados, mas sabendo que a nossa tem ainda mais, estamos tranquilos. Ainda por cima acho que ninguém se importa de sofrer dois do Portimonense com o campeonato ganho e mais dois do Spartak com a eliminatória resolvida. Para além do mais, lembra-te que em Sevilha, no grande ano de 2003, também sofremos dois golos. E sofremos mais um bocadinho por arrasto, mas o que importa é que marcamos mais que os escoceses. Se quiseres passar o Villarreal com mais uns 10-3 ninguém te censura, mas vamos com calma. Primeiro, temos uns convidados especiais para mais uma festarola.

É um clássico. É sempre um clássico. É o sexto clássico deste ano e até agora a colheita não tem sido má. Três vitórias e uma derrota contra o Benfica e um empate contra a malta de hoje. Um empate que me soube a ovos estragados, André, e a ti também porque te puseram na rua e nem precisaste de esmurrar ninguém…ou tentar esmurrar, que faz toda a diferença. É como se eu andasse a tentar acertar num gajo com um paralelo sacado da rua e em 40 arremessos falhasse todos por 2 centímetros de distância à moleirinha. Tenho lá culpa de ser torto?!

Mas enfim, de volta ao jogo.

Não quero perder isto, André. Até podemos perder com o Marítimo no último jogo, não quero saber lá de recordes, o que me interessa são taças. Isso dos recordes é tudo muito bonito mas é só uma brincadeirinha que só serve aos que não ganham nada, porque os vencedores contam-se pelos troféus. Que me adianta dizer que somos a equipa que menos golos sofre dos 36 minutos aos 41 nos jogos fora ao Domingo à noite? Uhhh, que grande recorde. O que me interessa é ganhar. E se for a equipas como o Benfica ou o Sporting, isso é que interessa! Ainda por cima eu tenho montes de amigos sportinguistas e não gostava muito de chegar à beira deles, franzir o sobrolho e admitir: “Porra, vocês este ano andam numa de nos lixar a vida!”, mas com muito mais vernáculo, como deves compreender.

Por isso dá-lhes. Dá-lhes com força. Empurra o resto da faca e fá-los acreditar que os charters que já não vão vir eram mesmo a salvação. Siga!

Sou quem sabes,
Jorge

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