Ouve lá ó Mister – Boavista

Señor Lopetegui,

Saudades, caríssimo, saudades de visitar aquele estádio onde já tive um arraial de emoções tão grande que a minha juventude passou por tudo. Alegria, nervosismo, medo, prisão de ventre, soltura…se fizer número na tradicional panóplia do sentimento humano, já passei por isso no Bessa. E garanto que não fui lá mais que meia-dúzia de vezes, mas houve sempre tanto para contar que enchia aqui umas páginas e tu tinhas uma manhã chatita a ler sobre as minhas desventuras em vez de estares a mentalizar o Herrera que não deve deixar parar o cérebro depois de receber a bola nos pés. E hoje vai ser bem necessário enfiares alguns conceitos na mona do nosso povo, porque os rapazes devem estar desmoralizados…senão repara:

  • Danilo, Alex Sandro, Casemiro estão de fora, castigados num jogo em que três dos nossos jogadores levaram amarelo. Guess who? Yup, eles.
  • Óliver re-estourou o ombro na Suíça e fica de fora mais dias do que devia. Devia ficar zero. Fica muitos.
  • É um derby e os gajos vão estar motivados para ver se nos lixam mais dois ou três pontos.
  • O Benfica ganhou o jogo esta semana com mais uma bela arbitragem.
  • Vão jogar num relvado sintético, que é giro para amigos aos sábados de manhã mas não é nada agradável para jogar à bola em condições.
  • O outro treinador é um dos mais feios da Liga e gosta tanto do FC Porto como o Rui Santos. Talvez menos.

Ou seja, está tudo contra nós. Se tudo correr mal, o Tello vai andar atrás da bola a pinchar como louca, o Quaresma vai levar uma ou oito charutadas nos primeiros 10 minutos e não vai resistir a dar uma de volta, o Jackson vai ser ensanduichado tantas vezes que vai mudar o nome para Jackson Mortadelinez, o Ruben vai ficar com as coxas em sangue depois de se raspar pela enésima vez à procura de cortar mais uma bola dividida no meio-campo e o resto…sei lá, Julen, só sei que não tenho um feeling muito bom para o jogo de hoje.

Apostaria numa equipa de combate, eu que sou medroso. Defesa com Ricardo, Indi, Maicon e Marcano. Meio-campo com Ruben, Herrera e Evandro, ataque com Brahimi, Quaresma e Aboubakar. Deixar os gajos cansados, dar a estocada nas alturas certas e esperar que comecem a stickar o nosso pobo. E depois…aplaudir os adeptos visitantes e sair pelo túnel, satisfeitos por um trabalho bem feito.

Sou quem sabes,
Jorge

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Round three!!!

Na passada sexta-feira foi assim:
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Ontem foi assim:
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Contra o Boavista e tendo em conta o histórico das duas equipas em confrontos passados, não prevejo que seja muito diferente.

Quer-me parecer que vamos ter de apertar os velhos pitões de alumínio. Paulinho, dás uma perninha?

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Baías e Baronis – Basileia 1 vs 1 FC Porto

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Emotivo, enervante, entusiasmante. Foi assim o nosso jogo da primeira mão dos oitavos da Champions deste ano, onde um bando de jagunços de branco tentaram por todos os meios aceites em qualquer centro de treino de artes marciais, em especial as que usem pés e braços. Ou seja, todas. De Xhaka a Streller, todos os suíços tentaram abater a nossa malta e correram como loucos à procura de mascarar com o físico o que nunca conseguiriam com o técnico. E conseguiram-no, ainda que de uma forma parcial, porque já sabem que o FC Porto não se dá bem com jogos exuberantemente físicos e ainda menos com árbitros que permitem que esse jogo prossiga. Mas houve luta, atitude, garra e um espírito de combate que estes jogos exigiam. E também houve erros. Bastantes erros. Vamos às notas:

(+) Danilo. De volta às grandes exibições depois de um ou dois jogos menos fulgurantes, o lateral que parece estar nas shortlists de meio mundo apareceu novamente em alto nível, a subir pelo seu flanco com critério apurado, mantendo-se firme na defesa e em apoio a qualquer dos homens que jogaram pelo seu lado. Rijo, difícil de bater e a usar bem o corpo, foi dele o lance que originou o penalty que bateu com eficácia. Até parece estranho usar estes termos sobre um jogador que aqui há dois anos parecia um fantasma da fama que tinha…

(+) Jackson. Quase perfeito nas acções de recuo a ajudar o meio-campo com a intensa pressão que recebiam continuamente dos adversários, foi ele que fez com que o meio-campo conseguisse alguma tracção num relvado que parecia ter mais suíços que nas plateias que viam o Guilherme Tell a brincar às setinhas. Levou pancada de criar bicho, entre patadas, puxões e cotoveladas no ar, para lá de ter sofrido mais um penalty não assinalado. Agora é moda não marcar as faltas sobre ele dentro da área?!

(+) Tello. Gostei da motinha hoje, apesar de parecer estar quase de tenda montada (calma, sem piadas) para lá da linha defensiva do Basileia. É verdade que foi apanhado várias vezes em fora-de-jogo, mas apareceu sempre em zona perigosa com a velocidade que tantas vezes lhe é pedido que aplique e que raramente o consegue fazer. Pareceu mais solto, mais interessado em agir de uma forma prática e não teve um único daqueles AVCs que tantas vezes lhe deram em solos lusos. Espero que continue assim. Espero mesmo.

(-) O erro de tentar jogar ao “nível” deles. Acontece muitas vezes e houve determinadas alturas em que a equipa se deixou enfeitiçar pelo jogo rápido e vistoso (para um inglês blue-collar dos anos 80, claro) do Basileia, passando a tentar correr tanto como eles e a perseguir a bola num ridículo jogo de gato e rato onde o FC Porto é derrotado com alguma consistência desde que me lembro de ver futebol. É impossível tentar fazer um nivelamento físico com uma equipa como a que hoje defrontamos e a futilidade disso acontecer é de tal magnitude que se assemelha a comparar uma novela da TVI com o Breaking Bad. E foi um pouco isso que aconteceu no golo e em mais alguns lances em que não tivemos a bola nos pés (os 30% e tal do tempo em que tal ocorreu…) e que andámos a correr atrás deles raramente conseguindo tocar na bola. Somemos a esta diferença de movimentação a facilidade de controlo de bola e o domínio do gesto técnico simples (passa, recebe, devolve), em que ainda temos tanto a caminhar que só de imaginar o percurso faz uma ultra-maratona parecer um passeio à beira-mar. Para finalizar, a puta da agressividade que não lembra a um Guimarães. Quase todas as jogadas ofensivas do FC Porto acabavam em pontapés nas canelas, nos calcanhares, tropeções ostensivos, abalroamentos quase-ferroviários e mais jogo de braços a fazer lembrar Vishnu a ter um ataque de epilepsia. Uma equipa de Joões Pereiras, é o que eles são.

(-) O meio-campo excepto Oliver. Lentos, desinspirados e incapazes de trocar a bola a um ritmo que lhes permitisse fazer com que o adversário corresse atrás da bola. O que aconteceu foi quase sempre o contrário, com o brasileiro a tentar vários passes longos direitinhos para fora ou para o guarda-redes contrário (há lá dois passes que tivesse ele Sir Bobby como treinador e ia a correr até Zurique para aprender) e a perder muitas bolas por idiotices de excesso de confiança, somado ao mexicano que continua a apagar-se em jogos grandes e a não conseguir engrenar na roda dentada da equipa, baixando-lhe o nível e o controlo em posse quando não pode baixar e prendendo-se em demasia com a bola nos pés, sem conseguir encontrar a medida certa para quando passar e quando temporizar o ritmo de jogo. Não fosse o dinamismo de Óliver, que não estando brilhante como noutros jogos foi o único a mostrar como tirar a bola aos suíços e fazê-la rodar entre os colegas, pondo-os a correr. Mais. Ainda mais. Porra que os gajos eram rápidos!


O ponto é justo mas se fossem três ninguém estranharia. A verdade é que o Basileia é jeitoso para aquele tipo de futebol mas nós temos mais capacidade, mais armas e infinitamente mais talento para arrumar com os suíços de vez no Dragão. E se possível dar três ou quatro estocadas nas fontes do Samuel e companheiros. Só para verem o que custa.

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Ouve lá ó Mister – Basileia

Señor Lopetegui,

Que saudades destes momentos, caríssimo. E que saudades de estar nos oitavos de uma competição destas, onde já não colocávamos as nossas patinhas há dois anos, que é tempo a mais para quem já teve hábitos mais interessantes que os actuais. Viena ou Gelsenkirchen são ideias que nos estão presas na cabeça e que nunca de lá saem a não ser que possamos colocar mais uma…que é como quem diz chegar lá outra vez. É um sonho, não duvido, uma coisa a que os ingleses chamam “pipe dream”, algo que é quase impossível de atingir mas que se mantém perene nas mentes e almas de tantos que, como eu, pensam nisso sempre que ouvem o hino da Champions.

E é isso mesmo que hoje temos de volta, esse sonho que vivemos todos os Setembros e na boa parte de Fevereiros. De chegar tão longe como já duas vezes chegámos ou, em alternativa, derramar suor e sangue a tentar fazê-lo de novo. Ninguém te censura se ficarem por aqui. Podem chatear-te a cabeça mas em verdade te digo que a malta já ficou razoavelmente satisfeita por ter passado a fase de grupos. Mas que temos a esperança de poder chegar aos quartos, lá isso temos. E está ao nosso alcance, por muito que o Basileia tenha uma equipa jeitosa e firme e segura e competitiva, nós também temos. Aproveita bem os teus recursos, coloca os que achares melhores em campo e vê se não sofres golos. Marcar já não é mau e se conseguires dois ou três, ainda melhor. Foca-te neste objectivo e deixa o campeonato para segundo plano, pelo menos hoje.

Hoje, Julen, é dia grande. É dia de Champions. Joga à altura disso.

Sou quem sabes,
Jorge

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Tudo a ganhar e tudo a perder

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O resultado do sorteio dos oitavos da Champions foi agridoce. Não duvido que nas tensões que cada bolinha que ia sendo aberta e à medida que os nomes iam sendo revelados, o nervoso bem-mais-que-miudinho ia-se apoderando dos nossos corpos e das nossas mentes. E quando iam saindo os Bayerns e os Chelseas, os nomes que ficavam para o fim adoçavam a nossa boca com a perspectiva de um regresso a Londres ou uma visita a uma terra repleta de dinheiro, indústria e alguns emigrantes lusos, um dos quais na cadeira de treinador. As primeiras reacções são cautelosas da parte de quem é responsável, com as luzes das câmaras firmes à busca do soundbyte. Do lado dos adeptos, euforia. Estes? De onde? Não foi lá que fomos roubados com a Juve e perdemos a única coisa que o Sporting pode dizer que é melhor que nós? Raios me partam se não vamos lá espetar cinco e até podemos descansar em casa porque o campeonato nessa altura deve estar tramado e mais vale jogar pelo seguro. No campeonato, claro!

Pois é. E agora, com quatro pontos de atraso cá por casa, temos um confronto europeu dos bons, porque são sempre bons. Não ponham esse ar de prepotentes ao pensar que um jogo contra suíços vale menos que um outro contra ingleses ou alemães. Especialmente porque nos colocamos perante uma possibilidade de win/win e lose/lose. Não é muito complicado de entender a periclitância (maldição de termos antigos que hoje só me vem à cabeça filmes portugueses dos 1940s) da nossa situação, mas para os mais lentos ou preguiçosos, passo a explicar.

Uma vitória na eliminatória é natural, esperada e fruto da maior qualidade do nosso plantel perante um grupo de jogadores com um misto de talento e força, com determinação mas que serão, teoricamente, abaixo do que consideramos “ao nosso nível” no panorama europeu. A História fala por si e o palmarés é de tal maneira díspar que nem devia fazer comichão imaginar que estamos no mesmo escalão, nem sequer no mesmo desporto. Somos melhor que eles, ponto. É essa a forma de encarar esse jogo que mais me chateia, porque apesar de ter visto pouco deles na fase de grupos, a verdade é que estão cá. No mesmo grupo do Real e do Liverpool, apesar da coça que levaram em Madrid e de terem até perdido com o Ludogorets. Mas estão cá, fizeram por isso e merecem tanto como qualquer outro. Vencer é expectável. E se acontecer, há mérito? Para nós, portistas que estarão cá amanhã a apoiar mesmo que caia meia Invicta para o lado do Mal, sim, porque passaremos para os quartos da prova de clubes mais importante do mundo, mas haverá sempre quem venha chutar para baixo, aninhados perante um qualquer complexo que nunca vou conseguir entender, e menosprezar o feito desvalorizando o adversário.

E se perdemos? E se somos eliminados por uma das surpresas da prova, pelo menos até esta altura? Inclemência das opiniões, martírio na praça pública, uma vergonha nacional, bandeiras a quarto-de-haste porque a meio até parecia que estaríamos resignados. Suíços?! Só perco com esses gajos quando luto contra um Toblerone, era só o que me faltava agora aqueles bardamerdas mandarem-nos para fora! Guerra para cima deles, é o que eu digo, que eles se lutarem todos com aquelas roupinhas paneleiras dos que fazem figura de urso em Roma que mais parece uma trupe dos Cardinallis hão-de cair todos como o Robben! E então, venham eles!

Se fossemos jogar contra o City ou o Barça, tudo tranquilo. Ganharíamos com mérito e perderíamos pela valia do adversário. Mas estes? É melhor ganhar mesmo, para evitar que os imbecis tomem controlo do senado.

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